Há 6 anos
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Prólogo: Parte 1
- Eu sempre me alimentei da noite, ela sempre despertou em mim uma sensação de expectativa, ansiedade, como se todo o peso e o labor do dia se esvaíssem e regassem um calor semelhante à primeira vez em que entramos em uma escola.
- Mas Jap, dormindo às quatro e acordando às seis você irá viver tanto quanto o Brutos, se bem que meu cão anda sendo mais bem tratado que você.
- Relaxa Marco! Desde que eu consiga apreciar cada fase da Lua e sobreviver ao trabalho, ta tudo certo!
- Seja como for, durma! Vez ou outra, faz bem.
- Combinado, prometo descansar assim que terminar a Última Sessão de Cine Luar...
Jap estava cansado de ouvir conselhos sobre suas noites mal dormidas ou alertas quanto ao fato de viver à procura da noite ideal, vagando pelas alternativas ruas de Lunar, onde dizia-se que a Lua ficava tão próxima que poderia ser tocada, caso a pessoa estendesse as mãos no lado Leste do Pier no sentido de sua Luz.
Para uma cidade de pequeno porte, com aproximadamente 40 mil habitantes, Lunar apresentava mais pessoas em situação precária, que qualquer cidade num raio de muitos quilômetros. Fazia aproximadamente 30 anos desde que a última reforma urbana foi realizada na antiga cidade turística, conhecida como Oásis Decadente. Mas o que Jap mais gostava na cidade era de sua vida noturna: seus personagens fascinantes, seus becos repletos de cães fedorentos e especialmente do seu Luar. - Como é grande a Lua em Lunar! - dizia Jap, assim como noventa e nove por cento da população.
Jap era um garoto magricela, a ponto de se confundido com a trave durante as partidas de futebol. Tinha agora quatorze invernos completos, mas já aparentava uns 17, devido às suas roupas largas e às precoces penugens em seu rosto. Deveria usar óculos desde que passou a se entender por gente, mas como os perdeu durante sua
primeira "viagem noturna", preferiu esquecer sua deficiência.
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