
Desde a criação desse blog, estive pensando em um assunto que me motivasse a escrever aqui, algo que me "desse na telha" mesmo...
Minha cabeça pensa demais (devo ter algum distúrbio, haha) então não conseguia pensar em algo mais profundamente.
Mas nessa sexta-feira (30/04/2010) me deparei com um desafio não só como educadora, mas também um assunto pra ser pensando quando eu for mãe.
Estava eu, tranquila e calma, pronta pra mais uma aula particular de história (sim, dou aulas particulares para o ensino fundamental de todas as matérias) pra 8ª série - 9ºano - sobre a Guerra de Canudos. Adoro meu aluno, ele também me adora, mas quando eu falo pra ele ler algo, ele quase "morre", da um "piti", e fala que não vai ler de jeito nenhum...aquelas revoltas típicas de alunos. Ele prefere que eu somente explique a conteúdo pra ele e passe um questionário daqueles de decoreba mesmo, sabe? Fácil, não?
Depois de muita negociação, ele aceitou ler. A cada parágrafo lido, eu faço uma pergunta do tipo...óbvia! E não só ele, como a maioria dos meus alunos, simplesmente não entederam aquilo que foi lido.
Agora eu me pergunto, porque tanta relutância em ler algo? Porque tanta dificuldade em compreender aquilo que foi lido?
Para mim, a resposta está na escola e no exemplo da família.
A escola, ainda insiste em impor aos alunos a leitura de livros do tipo "Dom Casmurro", "Senhora", "O Primo Basílio" etc, com uma linguagem antiquada para os dias atuais e que não fazem sentido nenhum para os alunos. Resultado: Crianças que abominam livros e mais analfabetos funcionais na sociedade.
Na era dos orkuts, twitter, blogs e outras avançadas tecnologias, alunos se veem presos a uma leitura linear, obrigando-os a buscar os famosos resumos no "google" para evitar o fracasso escolar.
O exemplo da família também é um ponto importante, porque eu, pelo menos, criei gosto pelos livros vendo minha mãe ler. Aquilo instigava minha curiosidade e cá estou eu sempre a procura do que ler todos os dias. Muitos não tem isso em casa.
Leitura tem que dá prazer, ânimo e não ser mais um peso pra "passar de ano", uma obrigação entediante e incompreensível. Criando-se prazer pela leitura, que condiza mais com a realidade de cada um, no mínimo o aluno vai entender o que ler e associar com suas experiências individuais.
É isso o que tento passar para os meus alunos...pelo menos o meu exemplo eles já tem!
P.S. E nada de ler Machado de Assis, Eça de Queirós, que são brilhantes escritores, mas, me desculpem, são chatos pra carambaaa!

O pior que é verdade!
ResponderExcluirQuase morro pra ler os livros que as universidades e minha escola pedem, pra falar a verdade de 10 livros que me mandam ler, leio 1 e olhe lá!
E não adianta nada obrigar a pessoa a ler, pq ela lê com tanta má vontade (porque´e chato) que acaba não aprendendo nada! u.u
Adorei o post! ;D
Excelente post Mandorinha, e mais importante ainda é ver uma educadora falando isso!
ResponderExcluirQue seu exemplo seja seguido.
Bjosss
Obrigaaada Haroldo!
ResponderExcluirVamos esperar a próxima inspiração!rss
bjos
Mandinha, concordo contigo. Aqui na minha estante ainda conservo os livros que ganhei de meus pais quando criança. Há aqui uma coleção chamada "o mundo da criança", que provavelmente foi meu despertar para os livros. Meu globo terrestre continua aqui como inspiração. Sim, mapas também podem ser lidos. Como aluno anarquista que sempre fui, rebelava-me com as leituras difíceis. Lia o resumo mesmo. Harry Potter era mais legal. Isso não significa que com o tempo as pessoas não podem tomar gosto pela, digamos, alta literatura. À medida que vamos lendo mais somos tentados a nos debruçar sobre obras mais complexas e que requerem uma capacidade maior de imaginação e sensibilidade, além de mais experiência de vida. É um processo natural para os que realmente gostam de literatura, mas eu não diria que é algo realmente muito importante na formação de um aluno.
ResponderExcluirAbraços, Zamba
Oi Zambinha, concordo plenamente com você. Com a maturidade nos vemos capazes de ler livros mais complexos, quando somos incentivados à leitura desde pequenos, mas esse incentivo não precisa começar necessariamente com a leitura de clássicos.
ResponderExcluirBjos
O mais esrranho é que As Crônicas de Nárnia, Harry Potter, Senhor dos Anéis, As Crônicas de Artur, na minha humilde opinião são livros mais "clássicos" do que Dom Casmurro, Lucíola e Vidas Secas.
ResponderExcluirAs escolas inglesas adotaram Nárnia como um clássico a ser lido, já eu, cidadão brasileiro, fui coagido a ler "O Cabeleira".
É, a metodologia de imposição de livros é um grd problema nas escolas. To gostando de ver...todo mundo discutindo o assunto! haha
ResponderExcluirEntrei aqui para fazer uma comentário, mas percebi que não tenho esta capacidade. Então gostaria de perguntar: Sou eu um analfabeto funcional?
ResponderExcluirObs: respondam, mas por favor não me ofendam.
Dalton
hahahaha
ResponderExcluirNão meu amor, vc pelo menos le e compreende o que leu, só precisa esboçar mais opinião...só isso! rsss